Museu de Arqueologia Bíblica promove terceira edição do MABTEA
Evento proporciona atividades lúdicas para as crianças autistas e informação aos familiares.
Texto: Raíssa Oliveira
O Museu de Arqueologia Bíblica (MAB) promoveu a terceira edição do MABTEA neste sábado (11), uma programação gratuita que proporciona atividades lúdicas e de aprendizagem para as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e palestras aos seus familiares.

O evento acontece desde a inauguração do museu anualmente no mês de abril, período lembrado mundialmente como o mês de conscientização sobre o TEA.
O educador Lucas Santos, divulgador científico do MAB e organizador do programa, enfatiza que “o propósito do evento é permitir que a comunidade do TEA, especialmente as crianças, sintam-se próximas e participativas nas atividades e construção da identidade do Museu de Arqueologia Bíblica o qual está disposto a recebê-los”.
Atividades desenvolvidas neste sábado
Para a realização das atividades, foram selecionadas vinte crianças, divididas em dois grupos de diferentes faixas etárias e em horários distintos. Para as crianças de 4 a 7 anos foram, desenvolvidas práticas ligadas ao descobrimento, como manuseio dos objetos milenares originais, tour pelo museu para conhecer alguns períodos históricos, escrita em hieróglifo em um papel semelhante ao papiro, caça ao tesouro no Jardim da Bíblia e simulação de escavação. Já para o outro público, com idade entre 8 e 12 anos, as atividades foram similares, com exceção da fabricação de uma lamparina em massinha atóxica.
Lucas reforça que as atividades tentaram inserir cada criança dentro de uma realidade lúdica e desafiadora. “Tentamos ao máximo encaixar cada atividade pedagógica ao nosso público alvo, respeitando também as características dos visitantes TEA”, esclarece.
A moderadora da Rede Adventista de Apoio à Família Autista (RAAFA), Jaqueline Kalbermatter, foi palestrante do evento e afirma que essas atividades são extremamente importantes para as crianças autistas por proporcionar experiências sensoriais, educativas e sociais em um ambiente adaptado para elas. “Ao participar de momentos assim, como a simulação de escavações e o contato com elementos da história bíblica, as crianças têm a oportunidade de aprender de forma mais concreta, já que justamente o abstrato é uma barreira para elas, sem contar que nesse modelo respeita o ritmo e as particularidades da criança”, argumenta.
Vivendo a espiritualidade de maneira única
Ao fim das atividades lúdicas para as crianças, os familiares também tiveram um momento importante de informação com a palestrante Jaqueline. A palestra abordou a maneira única e significativa que as crianças autistas expressam a fé e a lidam com a espiritualidade, com orientações práticas para os pais e cuidadores, como estratégias de inclusão em momentos religiosos, formas de comunicação acessíveis e a importância de respeitar a individualidade da criança se conectar com Deus.
Jaqueline garante que “o propósito foi acolher, orientar e fortalecer as famílias, oferecendo ferramentas que auxiliem no desenvolvimento espiritual das crianças, promovendo um ambiente mais inclusivo e sensível às suas necessidades”.
Benefícios do evento para a comunidade
Juliana Aleixo mora em Campinas e viajou para a programação do MABTEA com o marido e as filhas, Amanda Aleixo, de sete anos de idade, e Camila Aleixo, de 14 anos. A Amanda tem TEA e TDAH e, assim que Juliana soube do evento, inscreveu a filha na programação. Por estudarem na Escola Adventista de Campinas, as meninas já têm um aprendizado mais voltado à parte espiritual, mas de forma teórica.
Juliana explica que, no programa, “Amanda pode ver algumas situações na prática que, às vezes, ela escutou falar, como elementos da história de Davi e Golias […] ela consegue ter uma visão diferente daquilo que só imagina”. Ela também destaca que o ambiente mais calmo, com menos barulho e menos luz ajuda a pequena a absorver mais informação e interagir melhor com o aprendizado e as atividades.
Juliana, que conheceu o museu por ser aluna da Bíblia Comentada e também é secretária do Clube de Desbravadores, afirma que fará tudo que puder para envolver suas filhas em atividades espirituais, tanto que Amanda está envolvida no Clube de Aventureiros da Igreja. Entretanto, ela conta que para crianças autistas participarem dos eventos propostos, ainda existem muitos desafios de acessibilidade a serem enfrentados, como aglomerações, muito barulho e alimentação. “Há anos atrás a gente não conseguia muito acesso. Agora já está mais fácil, parece que as pessoas já entendem melhor essa questão da neurodiversidade e olham com olhos diferentes”, menciona a mãe atípica.
Atividades inclusivas e de responsabilidade social
Jaqueline observa a grande importância da instituição em promover atividades como essas, porque reforça o compromisso com a inclusão e sociedade. “A instituição contribui para a quebra de preconceitos, amplia o conhecimento sobre o autismo e promove práticas mais acessíveis e humanas. Além disso, iniciativas como essa fortalecem o vínculo entre universidade e comunidade, levando conhecimento para além da sala de aula e impactando diretamente a vida das famílias, das crianças e da sociedade como um todo”, esclarece.


