Impacto Social

UNASP promove missão no Egito durante as férias escolares

Os voluntários realizaram melhorias na infraestrutura da Escola Adventista de Mattarya.

Texto: Raíssa Oliveira | Edição: Victor Bernardo

O UNASP enviou missionários ao Cairo, capital do Egito, para promover reformas na Escola Adventista de Mattarya, ao longo de 15 dias. As atividades comunitárias aconteceram entre 12 e 26 de janeiro, e buscaram atender as demandas de infraestrutura da escola, como o preparo de ambiente e construção de um parquinho infantil, recuperação e pintura completa de paredes, tetos, portas e rodapés em cinco salas, oficinas e recreação infantil e participação nos cultos. 

As missões de férias são uma tradição no UNASP, reforçando o compromisso social da instituição. Foto: Arquivo pessoal

A escola fica localizada em um dos bairros mais pobres da capital, atendendo por volta de 600 alunos da comunidade de refugiados sudaneses. O arquiteto e docente do UNASP Rolf Maier liderou a missão e relata que, apesar do grupo relativamente pequeno de dez participantes, as atividades desenvolvidas nesse período obtiveram resultados fantásticos para além das relacionadas às obras, mas também pela interação com pessoas da comunidade, como estudantes. “Foi uma equipe focada que aproveitou cada oportunidade para realizar os trabalhos e mostrar o amor de Jesus por aquelas pessoas”, enfatiza o líder. 

Aprendizados técnicos levados adiante

O aluno de Medicina do campus Hortolândia Heber Hideki participou da missão e conta que, entre o contato impactante com a comunidade local, um dos momentos mais marcantes foi quando conseguiu levar os seus aprendizados de dentro da sala de aula para auxiliar, juntamente com um amigo, uma mulher que pedia socorro porque tinha um homem desmaiado dentro da sua casa. “A gente ajudou, a gente entendeu tudo que estava passando naquela situação, levantou ele, fez a aferição dos sinais vitais e ficamos com eles até estabilizar tudo, entendemos o contexto, a situação geral, […] depois ela mandou uma mensagem muito bonita pra gente e no fim isso foi muito impactante pra mim”, compartilha. 

Amanda Kadlubiski, estudante de Arquitetura e Urbanismo do campus Engenheiro Coelho, também levou o conhecimento que obteve durante o seu curso para essa missão. “Pude vivenciar na prática a realidade de uma obra, participando ativamente das etapas de preparo, escolha e uso adequado de materiais. Além disso, tive a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos relacionados ao levantamento e medição dos ambientes, conectando o aprendizado acadêmico com uma experiência real e significativa”, explica. 

Missão como estilo de vida

“Eu tenho uma vida de missão”, afirma Regina Mota, professora de Música do UNASP que também participou do projeto no Egito. Ela já tinha viajado para o país como missionária em outra oportunidade e, por ser amante de história, o seu primeiro impacto foi o próprio território. Dessa vez, ela ficou encantada pela maneira que os sudaneses reagem à música. 

Regina acredita ser uma missionária o ano inteiro na área da Música, já que considera que “a ação, estar em atividade dentro de qualquer atividade que seja a sua favorita ou que você se vê fazendo dentro do contexto da sua doutrina, é a única forma de fazer com que a sua religião seja real e que não seja só uma teoria que os outros criaram e você segue. Então, por isso entendo o meu fazer musical como missionário, mesmo nas minhas aulas”. 

Jusiara Bispo também tem várias experiências missionárias na bagagem e considera o Egito como a sua segunda bandeira, já que morou no local do ano de 2017 a 2018. “Sempre participei de projetos que são promovidos pela igreja em comunidade local ou regiões próximas e continuo envolvida, pois acredito que somos missionários primeiro em casa, e daí estaremos preparados para os confins”, compartilha. 

Parafraseando Ellen White no livro “O Desejado de Todas as Nações”, Jusiara diz que “todo cristão nasce missionário, ou seja, ao se tornar um verdadeiro discípulo de Cristo, o amor e o desejo de levar outros a Ele se tornam parte intrínseca de sua vida, transformando o testemunho em um estilo de vida e não apenas um dever”, afirmando que esse contexto e sentido só é verdadeiramente compreendido quando se participa e vive a missão na prática.  

Além dos projetos de construção, os voluntários também se envolveram com a comunidade. Foto: Arquivo pessoal

Influência na comunidade na Missão Egito

Rolf relata que saiu do Egito com o sentimento de que fizeram um excelente trabalho. “Ao sairmos frequentemente para comprar os materiais de construção sempre falamos o que estávamos fazendo e cada vez que retornávamos às lojas já nos recebiam com um sorriso. As missões também ajudam no ânimo dos missionários locais”, destaca o líder. 

Esse envolvimento da comunidade também foi relatado pelo missionário Heber. Ele conta que, quando começaram a descascar as paredes para dar início às reformas na escola, as crianças chegavam, pegavam as espátulas e ajudavam os voluntários. “Isso foi muito impactante, ver o brilho no olhar delas, ver como aquilo de certa forma influenciava e ajudava aquelas pessoas que muitas vezes não tem o mínimo, que muitas vezes talvez falta alguma coisa em casa, enfim, um abraço, um acolhimento ou alguém com elas”, comenta. 

“As crianças vinham e pediam para ajudar, eu deixava e ensinava para algumas como fazer, porém teve um menininho que não precisei mostrar como fazia, pois ele sabia e ficou ali até bater o sinal, quando ele saiu estava escorrendo suor da cabeça. Olhei aquilo e disse a mim mesma que eles precisam entender que aqui é a casa deles e cuidar faz parte da responsabilidade que precisam ter enquanto estiverem nesse país”, conta também Jusiara. 

Férias com um propósito

Adella Dutra, coordenadora do Núcleo de Missões do UNASP, esclarece que, normalmente, os alunos deixam de ir para casa durante as férias para servirem à comunidade porque sentem um chamado. “Eu posso afirmar com bastante certeza de que os alunos que se envolvem com missões são alunos muito, muito comprometidos com a obra de Deus. É muito bonito ver o trabalho deles, eles se doam por completo, é difícil servir em missão, não só porque envolve um custo para os missionários […] e aí entregar dias que eles poderiam estar passando com a sua família, mas dedicam esses dias a serviço da missão”, afirma.

“Essas missões de férias são muito especiais, porque elas relembram a gente de determinadas coisas que às vezes ficam esquecidas na nossa religião”, concorda Regina, relatando também que um dos benefícios de fazer missão nas férias é resetar a mente, como uma forma de descanso, já que sempre se envolve em missões de reforma e construção, que não tem relação com o seu trabalho na área da música e docência.  

Aprendizados na bagagem de volta

Amanda revela que o mais marcante da missão foi estar no local e ver que, mesmo em condições precárias, a escola continua transformando a vida de muitas crianças. Além disso, em um contexto que pode ser muito desafiador falar de Jesus, ver a escola cumprindo a missão e poder contribuir diretamente para isso foi significativo. “Ajudar as pessoas em contextos tão diferentes ampliou minha sensibilidade humana e espiritual, reforçando valores como empatia, gratidão e solidariedade. Essa experiência fortaleceu minha fé, ao perceber que Deus se revela àqueles que O buscam com sinceridade”, diz.

Mesmo após tantas missões, para Jusiara o projeto no Egito a ensinou ainda mais que ao estar inserido em outra cultura é necessário buscar compreender o outro. Ela enfatiza que “a missão sempre será sobre pessoas e como podemos contribuir para que tenham dignidade para viver em um país, mesmo que refugiado nele”. 

“Deus foi maravilhoso mais uma vez, nos dando dias tranquilos de trabalho, sem acidentes e com diversos deslocamentos enviando seus anjos pra nos proteger. Retornamos com o pedido de em breve voltarmos para ajudarmos mais no crescimento da escola e da igreja local. Isso já é uma demonstração de que fomos muito úteis e deixamos saudades, assim como eles também para nós”, conclui o líder da Missão Egito.  

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