Impacto Social

UNASP sedia simpósio sobre vivências no espectro autista

O evento foi realizado através de uma parceria entre o UNASP, a Igreja Adventista e outras redes de apoio.

Texto: Vefiola Shaka | Edição: Victor Bernardo

O UNASP campus Engenheiro Coelho sediou, no último domingo (12), o simpósio “Vivências no Espectro Autista: Compreender, escutar e incluir”, evento que reuniu profissionais da saúde, educadores, estudantes, pesquisadores e familiares para debater e aprofundar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O evento contou com palestras de diversos profissionais e acadêmicos especialistas no tema. Foto: AICOM

Com uma programação que se estendeu na parte de manhã e da tarde, o simpósio combinou palestras, mesas-redondas e rodas de conversa, promovendo um espaço rico de troca entre conhecimento científico e vivências reais. A proposta foi aproximar a teoria da prática, o acadêmico do humano.

A realização foi fruto de uma parceria entre a Assessoria e Apoio Psicopedagógico ao Discente do Ensino Superior e o Curso de Psicologia do UNASP, em conjunto com a sede da Igreja Adventista para o Estado de São Paulo, o Ministério Adventista das Possibilidades (MAP) – departamento da Igreja que cuida de pessoas com deficiência – e a Rede Adventista de Apoio à Família Autista (RAAFA). A articulação entre instituições de ensino, saúde e comunidade de fé foi um dos pontos marcantes do evento.

Vozes do espectro autista no centro do debate

Uma das convidadas foi Marla Lüdtke, cantora da Igreja Adventista que recebeu seu diagnóstico de TEA há cerca de dois anos e meio. Ao participar de uma roda de conversa, ela trouxe relatos pessoais que enriqueceram a programação com perspectiva prática e afetiva.

Para Marla, eventos como este são fundamentais, especialmente no ambiente universitário. “A discussão é crucial em universidades, onde se formam profissionais de diversas áreas, como pedagogia e psicologia. Estes precisam estar preparados para lidar com a crescente demanda por diagnósticos e o apoio a indivíduos autistas”, destaca. A cantora também ressalta o valor de compartilhar sua história, que já auxiliou muitas pessoas a buscarem compreensão sobre si mesmas. 

Entre os presentes, a estudante de terceiro semestre de psicologia Nayani Barros relatou o impacto do evento em sua formação. “A maneira que foi pautado o assunto ampliou minha visão sobre o transtorno e me fez enxergar sob uma perspectiva que nunca havia antes refletido”, disse ela, reforçando que o autismo é “extremamente diverso” e exige um olhar singular para cada pessoa.

Scheila Bonacolsi, moradora de Charqueada (SP), soube do evento por um membro de sua igreja e fez questão de participar, pois seu filho e esposo fazem parte do espectro autista. Ela saiu do simpósio com um caderno cheio de anotações e com uma percepção renovada. “Hoje me fez entender que temos que aceitá-los em sua individualidade. É muito importante trazer esses temas para saber que não estamos sós nessas lutas” pondera.

Seguindo dentro do tema de inclusão, o evento contou com uma apresentação do Coral de Libras do UNASP campus Engenheiro Coelho. Foto: AICOM

Um espaço de fé e acessibilidade 

Jaqueline Kalbermatter, moderadora da RAAFA e uma das organizadoras do evento, é enfermeira, mãe de um filho com autismo e atualmente cursa Psicologia no UNASP, exatamente para aprofundar seus conhecimentos e contribuir com pesquisas voltadas a adolescentes e adultos com TEA.

Para ela, o objetivo central do simpósio foi fornecer informação e conhecimento, tanto para profissionais quanto para a comunidade, em prol da compreensão do tema. Jaqueline destacou ainda o papel do UNASP como referência e inspiração. “Colégios e centros universitários como o UNASP, ao adotarem ações inclusivas e oferecerem suporte, servem de exemplo para outras igrejas e comunidades”, pondera.

Ela também ressaltou a importância de que os espaços de fé sejam cada vez mais acessíveis. “A igreja é vista como um espaço de acolhimento e deve ser acessível a todos, incluindo aqueles com autismo, que também possuem necessidades espirituais”, explica. Para Jaqueline, o conhecimento quebra barreiras, permitindo que as pessoas compreendam e interajam de forma mais adequada. 

O simpósio reafirmou o posicionamento do UNASP como instituição comprometida com a neurodiversidade, com a formação humanizada de seus estudantes e com a construção de uma sociedade mais empática e inclusiva. Mais do que transmitir informação, o evento foi um convite à escuta e à ação.

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