Alunos e docentes do UNASP participam do sexto Congresso de Fé e Ciência na Argentina
O encontro reuniu pesquisadores, professores, líderes e alunos da Educação Adventista para experiências práticas de pesquisa e atividades de campo.
Texto: Vitória Amábili | Edição: Vefiola Shaka
Professores e alunos dos três campi do UNASP participaram do VI Congresso Sul-Americano de Fé e Ciência, promovido pela Universidade Adventista del Plata (UAP), na Argentina, nos dias 03 a 06 de setembro. A programação reuniu palestras, oficinas e atividades de campo, nas quais os participantes puderam examinar fósseis, formações geológicas e as características da paisagem na região.
O objetivo do evento era expandir a experiência acadêmica para além de materiais teóricos e ofertar ferramentas que os profissionais pudessem utilizar em contextos educacionais e de pesquisa.

A coordenadora de pedagogia do UNASP campus Engenheiro Coelho, Elen Almeida, esteve presente no encontro e valoriza a experiência acadêmica e pessoal que adquiriu. “O congresso possibilitou reunir diferentes áreas do conhecimento em torno de uma reflexão sobre ciência, fé e educação, mostrando que esses diálogos podem contribuir para uma formação mais ampla e coerente com a identidade de uma instituição confessional”, destaca.
Atividades de campo
Durante os dias de programação, os participantes viajaram para diferentes sítios do território para analisar evidências sobre geologia e paleontologia. Os estudos foram focados no período posterior ao Dilúvio, e os tópicos abordados incluíram a formação da paisagem atual, a Era do Gelo, os grandes mamíferos e as migrações humanas e animais.
Este momento foi muito enriquecedor para Luidy Martins, aluno de medicina do UNASP campus Hortolândia. “Pra mim foi marcante justamente porque eu pude perceber o quanto o fenômeno geológico da fossilização pode nos comunicar sobre um determinado local”. O estudante relata ainda que achou interessante perceber a forma que o conhecimento é construído e como o conjunto dessas informações permite inferir e imaginar como funcionava a vida passada nestes locais visitados.
Para os docentes a prática não foi diferente. As experiências de campo marcaram a professora de medicina e enfermagem do campus Hortolândia, Katia Murayama. “Isso me fez pensar muito em como podemos despertar nos nossos alunos essa curiosidade científica, esse desejo de perguntar, investigar e buscar respostas. Esse foi um dos grandes aprendizados que eu trouxe do congresso”, reflete. Além disso, ela aponta que por trabalhar com a formação de profissionais da área da Saúde, essa experiência de campo foi significativa. “Observar elementos da natureza e refletir sobre as evidências científicas em diálogo com a fé e a perspectiva criacionista foi uma experiência que me trouxe muitas reflexões”, admite.
Elen complementa que durante essas atividades, os participantes tiveram contato com fósseis da megafauna, incluindo dentes de tubarões e fragmentos de ossos, e que para ela, essa experiência foi muito significativa por poder observar materiais, compreender seu contexto e relacioná-los às discussões realizadas durante o congresso. “Tivemos a oportunidade de desbravar algumas regiões próximas à Universidad Adventista del Plata (UAP), especialmente áreas relacionadas à Bacia do Paraná, observando de perto elementos da geologia e do registro fóssil”, lembra.

A importância do contato com outros profissionais
Além da promoção de debates, simpósios e saídas de campo, o evento promoveu o contato entre os diferentes participantes. Para o docente de fisiologia do campus Hortolândia, Eliézer Moura, esses encontros servem de oportunidade para ouvir pessoas que possuem conhecimento em áreas diferentes de sua atuação. “Ver a expertise de cada um sendo pela ótica do criacionismo, sem dúvida é o maior ganho que posso mencionar”, conta.
O Congresso proporcionou uma plataforma para a apresentação de pesquisas realizadas em diversas áreas. Este momento foi importante para o diretor do Núcleo de Estudos das Origens (NEO), Tiago Alves, que teve a oportunidade de analisar vários posters e ouvir apresentações. “É interessante verificar diferentes metodologias de pesquisa, o que tem sido feito em diferentes áreas. Tudo isso me enriquece enquanto pesquisador, professor, então eu apreciei muito esse momento de apresentação”, destaca.
O docente do Mestrado em Saúde e da graduação no campus São Paulo, doutor Luiz Rocha, teve a oportunidade de articular um projeto de pesquisa com as cinco IES do Brasil e deixar um pré-acordo com outras IES da América do Sul. “Uma das atividades mais relevantes desse tipo de evento é a possibilidade de network com os colegas de instituições diferentes, mas todas da mesma rede com a mesma filosofia”, menciona.
Elen compartilha do mesmo sentimento. “Também foi muito especial estar em contato com pesquisadores, professores e estudantes de diferentes países da América do Sul, percebendo que existe um movimento acadêmico preocupado não apenas em produzir conhecimento, mas também em pensar como esse conhecimento pode chegar à sala de aula”, concorda.
Conhecimento compartilhado na sala de aula
Katia lembra que quando os docentes participam da formação de um profissional da saúde não podem pensar somente na parte técnica, pois estão formando pessoas que vão cuidar de pessoas. “O congresso me faz pensar que podemos ajudar nossos alunos a desenvolver não apenas conhecimento, mas também pensamento crítico, capacidade de investigação, sensibilidade e responsabilidade diante da vida”, explica.
O doutor Luiz Rocha observa que com estes eventos, os professores conseguem ter um aplicação mais realista em sala de aula para as disciplinas que integram ciência e religião. “Nos ajuda a ter uma visão holística do ser humano, compatível com a nossa filosofia e a ciência”, salienta.
Docentes e alunos capacitados para o futuro
O objetivo do Congresso era expandir a formação para além do encontro presencial. Para Luidy, estudante de medicina, o principal acréscimo na formação acadêmica e profissional foi ter contato com diferentes áreas do conhecimento. “Pra mim, perceber que a educação adventista se preocupa em capacitar os professores e alunos para fazer essa integração é motivo de muita alegria”, elogia.
A coordenadora de pedagogia do campus Engenheiro Coelho, Elen Almeida, assegura que a participação dos colaboradores em experiências como essa contribui diretamente para o fortalecimento da identidade acadêmica e institucional do UNASP. “Quando um professor participa de um congresso, estabelece contato com pesquisadores, conhece novas pesquisas e retorna para a instituição trazendo novos conhecimentos, essa experiência deixa de ser individual e passa a beneficiar toda a comunidade acadêmica”, finaliza.
Katia, professora de medicina e enfermagem do campus Hortolândia, compartilha do entendimento de que estes momentos são muito importantes para os professores, para ensinar o aluno a observar, fazer perguntas, analisar evidências e construir o conhecimento. “Não quero que eles sejam apenas receptores de informação. Quero que sejam curiosos, que questionem, que investiguem e que consigam relacionar aquilo que aprendem com a realidade”, conclui.


