Curso de Medicina do UNASP amplia experiências de formação aliando saúde e espiritualidade
Programações espirituais e atividades práticas aproximam os futuros médicos da realidade dos pacientes desde os primeiros semestres do curso.
Texto: Vefiola Shaka | Edição: Victor Bernardo
O “Cincoprasete”, programação organizada pelos estudantes de Medicina do UNASP campus Hortolândia, marcou o início das atividades espirituais do semestre na última semana. O encontro leva esse nome por ser realizado às sextas-feiras, às 18h55, e recebe os alunos para um momento de música, reflexão e oração, preparando a comunidade acadêmica para o início do sábado.
A programação faz parte de uma rotina que busca integrar a formação acadêmica à dimensão espiritual dos estudantes.

Além deste evento, os alunos participam de cultos diários, pequenos grupos, momentos de oração antes das aulas e aos sábados, de iniciativas como os Médicos em Missão e semanas de oração ao longo do semestre.

Além do conhecimento técnico
Para Arthur Fortes, aluno do segundo semestre de Medicina, essa vivência contribui para compreender que a formação médica vai além dos conhecimentos técnicos. “A parte espiritual do UNASP eu acho muito importante porque até quando a gente vai estudar sobre a saúde, existe o âmbito espiritual dentro da saúde também”, afirma.
A integração entre conhecimento técnico, espiritualidade e serviço está relacionada à proposta de formação adotada pelo campus. Segundo José Prudêncio Júnior, diretor do UNASP campus Hortolândia, a vivência no internato faz parte da experiência da educação Adventista e contribui para preparar os estudantes para a liderança e a missão. “Vai ser no dia a dia, nos corredores, na sala de aula, no restaurante, vivendo na igreja, a parte espiritual. É dessa forma que o aluno viverá a educação plena”, pondera.
Formação com propósito
Essa proposta também está presente na formação prática dos estudantes por meio da Interação em Saúde na Comunidade (IESC), eixo pedagógico que aproxima universidade, unidades de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e população. No curso de Medicina, o contato com pacientes começa desde o primeiro semestre, por meio de atividades realizadas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na rede Adventista de saúde. A chamada inserção precoce permite que os alunos conheçam, gradualmente, o funcionamento do SUS e a realidade das comunidades atendidas, relacionando os conteúdos aprendidos em sala de aula às necessidades concretas dos pacientes.
Nas UBS, os estudantes acompanham diferentes etapas do atendimento, como recepção, acolhimento, aferição de sinais vitais e consultas, além de observarem o trabalho de médicos, enfermeiros e agentes comunitários. Também participam de ações de prevenção e educação em saúde e realizam visitas domiciliares, nas quais conhecem o ambiente e a rotina dos pacientes e de suas famílias, ampliando a compreensão sobre os fatores sociais que influenciam a saúde.
Para Dane Vital, aluna do segundo semestre, a experiência ajuda a compreender aspectos que dificilmente seriam percebidos apenas em sala de aula. Segundo ela, conhecer a rotina e a realidade das pessoas desde o início da graduação transforma a maneira de enxergar o atendimento médico. “Durante as visitas nós conseguimos ver se os pacientes estão fazendo bom uso dos medicamentos, qual é o tipo de ambiente que ele vive, entendendo melhor a rotina e a dinâmica da doença do paciente e da família dele”, diz.

De acordo com o doutor Gustavo Letsch, coordenador adjunto de Medicina, a prática é acompanhada por profissionais e acontece de maneira gradual. Os estudantes primeiro observam, depois interagem com os pacientes e desenvolvem habilidades técnicas e humanas que complementam os conteúdos aprendidos na teoria e na simulação.
O professor continua afirmando que esse contato também contribui para a formação de um profissional capaz de compreender o paciente de maneira integral. O paciente é um ser humano completo, com os seus problemas, suas situações e agora o aluno aprende o que não aprende na sala de aula, a sua postura, o formato, o olhar, como perguntar, como receber as respostas”, destaca. Leitch pondera que tudo isso forma um profissional completo dentro da medicina.
Fé, cura e missão
Na perspectiva do curso, esses elementos também se conectam aos três eixos do curso: fé, cura e missão. A proposta considera a espiritualidade como parte da compreensão integral do ser humano e busca preparar os futuros médicos para reconhecer diferentes dimensões da experiência dos pacientes.
Segundo o coordenador adjunto Letsch, a saúde deve ser compreendida de maneira integral, indo além da ausência de doenças. Para ele, o bem-estar envolve as dimensões física, mental, social e espiritual. “A espiritualidade é parte inerente do ser humano, e não somos pessoas completas, nem médicos completos, se não entendermos essa dimensão na vida do paciente”, destaca.

O doutor explica, ainda, que, mesmo quando uma pessoa está bem em outros aspectos, a falta de uma conexão espiritual pode estar relacionada a outras dificuldades. Por isso, ele defende a união entre a capacidade técnica da medicina, a missão e a fé. “É preciso unir a capacidade técnica da medicina à missão, que é o que nos move e representa o porquê de fazermos o que fazemos, e à fé, a partir de um olhar que compreenda o paciente como uma pessoa única, especial e complexa, que também precisa dessa conexão”, afirma.
Essa proposta também é colocada em prática durante a formação dos estudantes, por meio de momentos com os pacientes e de oportunidades para que eles participem, e não apenas nas atividades.
A futura médica Dane, diz que a maneira como o curso está organizando as práticas é muito crucial para realizar atendimentos completos. “Como a medicina é pra salvar vidas, temos que salvar a vida do paciente entendendo um pouco da realidade dele”, ressalta.
Leitch diz que essas experiências contribuem para a formação de profissionais mais completos e também fortalecem os próprios estudantes diante dos desafios da profissão.“Nós, médicos, também enfrentamos problemas, situações e lutas, e precisamos de toda a ajuda possível para lidar com elas. Nada melhor do que a ajuda do Senhor”, finaliza.
Assim, entre os encontros do Cincoprasete, os momentos de espiritualidade e a presença nas unidades de saúde, os estudantes têm experiências que ultrapassam os limites da sala de aula e aproximam a formação médica da realidade das pessoas que serão atendidas por eles no futuro.
Vestibular aberto
As inscrições para o Vestibular de Medicina do UNASP 2027 estão abertas até o dia 10 de setembro de 2026. A aplicação da prova será no dia 11 de outubro e os resultados serão divulgados no dia 06 de novembro. Para mais informações, confira o edital.