UNASP realiza missão em Villa El Salvador, no Peru
Ação reuniu 22 pessoas entre alunos, professores e membros da igreja em atividades sociais e evangelísticas no distrito periférico de Lima.
Texto: Ana Júlia Alem
O UNASP campus Hortolândia, em parceria com o núcleo de missões do campus, o Hope in 7 Steps (Hi7), realizou uma missão em Villa El Salvador, distrito periférico ao sul de Lima, no Peru, entre os dias 26 de junho e 12 de julho. Ao todo, 22 pessoas participaram da ação, entre alunos do ensino médio, estudantes de medicina, fisioterapia e publicidade, além de professores e membros da igreja. O grupo se dedicou a atividades voltadas à comunidade local durante o período em que esteve na região.
Missão Peru
Segundo o coordenador do Hi7, Moises Sanches, Villa El Salvador surgiu a partir de um assentamento estabelecido há cerca de 35 anos, transformando-se, com o tempo, em um distrito reconhecido oficialmente pelo governo peruano. Ele explica que, apesar dessa regularização, a região ainda enfrenta grandes carências, com dificuldades relacionadas à infraestrutura, ao saneamento básico e à limpeza urbana. Essas condições, segundo ele, foram determinantes para a escolha do local como destino da missão.
Sanches afirma que a decisão também levou em conta a necessidade de apoiar pequenas igrejas e grupos locais, somada ao potencial de desenvolver ações de impacto social junto à comunidade. Ele destaca que a missão incluiu uma campanha evangelística, com visitação a famílias interessadas, além da criação de um espaço relacional com a subprefeitura local. Segundo o coordenador, o objetivo dessa aproximação institucional é ampliar o reconhecimento das igrejas locais perante os órgãos públicos.


Ao longo da missão, a equipe se dedicou a uma série de ações voltadas tanto ao cuidado com o espaço público quanto ao trabalho espiritual junto à comunidade. Entre as atividades realizadas estão a reforma e pintura de três igrejas locais, a limpeza de espaços públicos e o plantio de árvores em praças da região, além da coleta de alimentos destinados a famílias carentes. O grupo também conduziu pregações evangelísticas durante as noites, apresentações musicais nas igrejas locais, visitação a pessoas interessadas e estudos bíblicos.
Segundo Sanches, a comunidade recebeu a equipe de braços abertos e, apesar das dificuldades enfrentadas pelas famílias locais, fez o possível para que o grupo se sentisse acolhido. O coordenador relata que a equipe também enfrentou desafios típicos de adaptação, como a alimentação de outro país, os costumes locais, a água fria em alguns banhos e a barreira linguística. Mesmo diante desses obstáculos, Sanches afirma que “Deus foi muito bom nos permitindo uma experiência singular de compreensão de realidades muito distintas das que vivemos”, complementa.
Experiências transformadoras
Camilly Monteiro, de 19 anos, é aluna do curso de Medicina do UNASP. Seu contato com o universo das missões começou no final do ano passado, ao ver o relato de uma influenciadora sobre o tema, momento em que nasceu o desejo de vivenciar uma experiência semelhante. Quatro meses depois, quando o professor Moises Sanches apresentou o projeto em sala de aula, Camilly não hesitou em se inscrever, contando com o apoio de colegas e professores durante o processo de preparação.

Segundo ela, a rotina da missão surpreendeu positivamente, com horários organizados para acordar e para as refeições. Ela destaca a passagem pela igreja local como um dos momentos mais marcantes da experiência, pela oportunidade de aprender sobre comunhão e cuidado com o próximo. Ao refletir sobre o aprendizado que pretende levar para a vida, Camilly afirma que “devemos amar mais, cuidar mais e demonstrar mais, já que a rotina automática do dia a dia muitas vezes faz esquecer o que realmente importa”.
Arthur Bento Silva, de 17 anos, cursa o terceiro ano do Ensino Médio e está concluindo o Técnico em Informática. Para ele, essa já é a terceira experiência em missões, o que tornou o processo de preparação bastante tranquilo, já que estava mais familiarizado com a rotina e as exigências da viagem. Arthur conta que o que mais o motivou dessa vez foi a oportunidade de conhecer um novo país e vivenciar de perto uma cultura diferente da sua.
Durante a missão, Arthur relata que as atividades variavam conforme as necessidades de cada distrito, alternando entre estudos bíblicos, visitas e reformas. Ele destaca como um dos momentos mais marcantes a despedida da família peruana que os recebeu, emocionando-se ao perceber o carinho construído em tão pouco tempo de convívio.Arthur diz que a experiência o fez perceber a grandeza do mundo, com suas diferentes culturas, paisagens e pessoas, e afirma que “a gratidão por ter vivido essa experiência” é o sentimento que carrega ao final da missão.
Hope in 7 Steps
O Hi7, sigla para Hope in 7 Steps, é o núcleo de missões do UNASP campus Hortolândia e opera sob esse nome desde 2019, quando uma campanha voltada aos jovens da comunidade estudantil e da igreja do UNASP resultou na criação da marca. Segundo Sanches, o núcleo de missões, no entanto, já atuava em Hortolândia desde 2012, antes mesmo da formalização da identidade atual. O trabalho, portanto, é anterior ao próprio nome que hoje o representa.
O projeto realiza missões de curto prazo, com duração entre 15 e 20 dias, organizadas em três níveis de dificuldade. Essa estrutura permite identificar e desenvolver talentos capazes de integrar projetos de longo prazo, com duração de um ano. Segundo o coordenador, a proposta é formar, ao final desse processo, missionários vocacionados para atuar em campo permanentemente, como missionários de carreira.
O núcleo atua em parceria com a Igreja do UNASP campus Hortolândia e a Associação Médica Adventista (AMA), unindo forças na organização das missões. Segundo Sanches, a principal função do Hi7 nessas parcerias é cuidar de toda a parte logística das missões realizadas pelo campus, tanto as ligadas à igreja quanto à escola. A mesma estrutura também dá suporte às missões promovidas pela AMA, ampliando o alcance do trabalho realizado.
Sobre os impactos que o Hi7 pretende gerar, Sanches afirma que o objetivo, para os participantes, é despertar um senso de missão duradouro, seja para que continuem participando de novas experiências, seja para que se tornem pessoas melhores onde quer que estejam. Já para as comunidades atendidas, o coordenador explica que a intenção vai além de suprir necessidades pontuais, buscando inspirar, pelo exemplo da equipe, a percepção de que os próprios moradores podem transformar sua região. Para Sanches, o maior legado do trabalho “não é o que fazemos pela comunidade, mas o que estimulamos a comunidade a continuar fazendo”.
O calendário do Hi7 já prevê novas missões para os próximos meses, começando pela Argentina, entre 15 e 30 de julho, seguida por Nova York, de 31 de julho a 13 de agosto. Na sequência, a equipe segue para o Líbano, Nepal, Guiné-Bissau e Amazonas, além de uma missão na Tailândia prevista para fevereiro de 2027.


