Missão e Espiritualidade

Estudantes do UNASP participam de trabalho humanitário na Amazônia

As alunas acreditam que essa experiência fará uma grande diferença na formação delas como intérpretes e no mercado de trabalho futuramente.

Texto: Príscilla Melo | Edição: Victor Bernardo

Reformas na igreja local, visitas à comunidade e feiras de saúde estiveram entre as atividades promovidas por estudantes de Letras e Tradutor e Intérprete em uma missão transcultural realizada na Amazônia. Os alunos do UNASP campus Engenheiro Coelho, em parceria com a Andrews University e a sede administrativa da Igreja Adventista em Manaus, participaram da missão Amazon Life Savers. Entre os dias 07 e 16 de junho, os voluntários atuaram em ações de serviço e em momentos de oração, cultos e devocionais. 

Os estudantes tiveram contato com moradores da região e com a sede da Igreja Adventista no local. Foto: Arquivo pessoal

Além das atividades missionárias, os estudantes de Tradutor e Intérprete tiveram a oportunidade de colocar o aprendizado adquirido em sala de aula em ação sendo intermediários entre os missionários alunos do Mestrado em Divindade da Andrews University e a população ribeirinha. A coordenadora do curso de Letras e Tradutor e Intérprete, Creriane Lima, afirma que além do aspecto técnico, projetos como esse ajudam os alunos a desenvolverem sensibilidade intercultural, ética profissional e trabalho em equipe. ‘‘Experiências missionárias transformam a formação acadêmica e revelam que o tradutor e o intérprete podem exercer um papel essencial na promoção do diálogo e do cuidado com as pessoas em diferentes contextos sociais’’, enfatiza.

Experiência dos alunos na missão

A aluna do sétimo semestre do curso de Tradutor e Intérprete Beatriz Silveira descreve a sensação de participar de sua primeira missão em um contexto transcultural como ‘‘única’’. Ela destaca que o que mais a impactou foi ver como as pessoas das comunidades eram receptivas, mesmo com toda a simplicidade e com recursos precários. Segundo ela, os ribeirinhos a acolheram de braços abertos durante os dez dias que passou com eles. A atuação da aluna Beatriz na missão transcultural na Amazônia foi a sua primeira experiência como tradutora fora da sala de aula. 

Ela conta que percebeu a presença de Deus, mesmo em momentos de receio. Segundo a estudante, devemos crer que, se Deus nos designou para tal função, Ele nos conduzirá a realizar o nosso propósito. ‘‘Do começo ao fim me senti acolhida pelas pessoas que participaram comigo e abençoada por Deus, porque Ele proveu, abençoou todas as coisas, e cuidou de cada detalhe. A missão é única e eficaz para as nossas vidas, e ter tido a oportunidade de estar na Amazônia foi inesquecível e primordial para o meu ministério missionário’’, enfatiza.

O método de Cristo

A secretária do Serviço Voluntário Adventista (SVA) no Noroeste do Brasil, Abgail Pereira, ressalta que a missão teve um impacto muito significativo no relacionamento com a comunidade. Ela destaca que o contato com pessoas de outra cultura abriu muitas portas em poucos dias, isso tornou o convite para as ações evangelísticas muito natural, porque antes de tudo, havia uma amizade verdadeira. 

Abigail descreve a ação como ‘‘andar uma segunda milha’’, pois exige uma dedicação extra de quem participa, especialmente por causa da diferença de idioma. Embora os missionários e médicos falassem exclusivamente inglês, a barreira linguística acabou se tornando um ponto positivo, pois as pessoas da comunidade tinham o desejo de criar conexões e construir relacionamentos de amizade. Assim, o idioma não foi um obstáculo, mas uma ferramenta que aproximou os missionários da comunidade. 

‘‘Foi exatamente o método de Cristo: Ele se misturava com as pessoas, atendia suas necessidades e, por fim, dizia: Segue-me. Acredito que iniciativas como essa são de suma importância, pois ajudam a romper muitas barreiras sobre o verdadeiro significado da missão’’, aponta.

As atividades envolveram a construção de uma igreja, visitas à comunidade e uma feira de saúde. Foto: Arquivo pessoal

Fazendo a diferença

A estudante do quinto semestre de Tradutor e Intérprete Mikaelli Dalaqua relembra que sentiu medo no começo por estar saindo completamente da sua zona de conforto, e por não saber como seria e quais seriam seus desafios, mas confiou que a missão era um chamado de Deus para a vida dela e foi. Lá, ela conheceu pessoas incríveis que sequer imaginou conhecer um dia, pessoas essas que ela diz já estar sentindo falta. Mikaelli explica que, no dia a dia dos trabalhos desempenhados na Amazônia, ela ficou responsável por realizar a tradução das orientações e da comunicação entre a equipe e os estudantes da Andrews University. Além disso, a estudante interpretou um culto do português para o inglês para os estudantes estrangeiros. 

‘‘Essa foi a primeira vez que tive contato com nativos, e na minha área é muito importante saber o inglês. Ter ido para missão me ajudou a destravar em vários sentidos e me deu mais motivação para continuar evoluindo e melhorando. É uma experiência que com certeza lá na frente irá fazer diferença no mercado de trabalho’’, afirma.

A professora Creriane Lima comenta que pretende dar continuidade à parceria que já dura oito anos, para que mais estudantes participem de experiências missionárias internacionais desempenhando o papel de intérpretes.

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