Congresso Psicólogos em Missão aborda a saúde mental na era da hiperconectividade
O evento sediado no UNASP reuniu profissionais e estudantes de todo o país em palestras, workshops e minicursos.
Texto: Luisa Oliveira | Edição: Vefiola Shaka
O UNASP campus Engenheiro Coelho promoveu, entre os dias 4 e 7 de setembro, o segundo Congresso Psicólogos em Missão, com ênfase na “Saúde mental na era da Hiperconectividade”. O evento reuniu cerca de 400 participantes, entre palestrantes, profissionais, docentes e estudantes.

O congresso é fruto da parceria entre o corpo de Psicólogos em Missão, o curso de Psicologia e as pós-graduações da área de psicologia do UNASP, e contou com minicursos, seminários, palestras, momentos de debate e apresentações de trabalhos científicos. Além disso, foi palco da cerimônia de entrega da segunda edição do Prêmio Dr. Belisário Marques, que reconhece grandes cooperações relevantes à prática da Psicologia.
A importância do congresso
Segundo a líder dos Psicólogos em Missão no Brasil, Luciana Balkow, a escolha do tema nasceu da observação direta do que vinha chegando aos consultórios, “Nós percebemos que os nossos pacientes estão sendo muito impactados pela hiperconectividade”, afirma. Luciana cita que muitos dos pacientes têm sintomas recorrentes de ansiedade, depressão, dificuldades de foco, memória e procrastinação excessiva. Para ela, a missão do psicólogo vai além do atendimento pontual. “A missão do psicólogo é psicoeducar, é informar, é acolher, é tratar traumas e é levar informação”, destaca.
A professora de psicologia do UNASP e coordenadora do evento, Carolina Silva, reforça a urgência do assunto a partir de sua própria vivência em sala de aula e como orientadora de estágio. “Em todos os grupos que eu oriento tem casos envolvendo dependência de tecnologias”, conta.
A coordenadora também reforça a importância do congresso no meio acadêmico por ser algo novo. “Como é um fenômeno mais recente, nós não temos tanto material disponível”, diz. Ela explica que o congresso busca justamente preencher esse espaço de ausência teórica com conteúdo que os alunos ainda não encontram na grade curricular, mas que já aparece com frequência no dia a dia da clínica.

O psicólogo referência em dependência tecnológica, doutor Cristiano Nabuco, abriu o congresso na noite de sábado com uma palestra sobre “O uso das novas tecnologias e quais são as perspectivas e quais são os riscos” trazendo uma discussão e alertando para um ponto de atenção pouco explorado. “Normalmente a gente só se atenta às questões dos benefícios dos aplicativos novos, mas raramente olhamos para os riscos”, observou.
Para ele, eventos como este são importantes, pois aproximam a audiência de pesquisadores que já percorrem essa área há décadas. “Esses congressos visam outros pontos sobre um tema que considera transversal a diversas áreas, da psicologia passando pela saúde mental, antropologia e sociologia”, pontua.
Durante o evento, os participantes ainda foram convidados a participar de um jantar especial, como forma de fortalecer a troca e o networking entre alunos e profissionais.
Formação que vai além da graduação
Para os estudantes presentes, o congresso funcionou como uma ponte entre a teoria vista em sala e os casos que ainda vão encontrar no consultório. De acordo com a aluna do quarto semestre Thalita Sales, o evento é necessário, pois aumenta o conhecimento e entendimento de casos reais que ela ainda não viu, e ajuda a descobrir o caminho que quer seguir profissionalmente.“ É enriquecedor e esclarecedor, porque abre muitos caminhos para quem está tentando se encontrar”, valoriza.
A psicóloga e escritora Jamile Zinn, que participou como profissional e ministrou um workshop, destacou a palestra de abertura, do doutor Nabuco, como um dos pontos altos do evento, por trazer “coisas científicas que, às vezes, parecem complexas” de forma simples e acessível. Para ela, o tema reforçou uma preocupação já presente em sua prática, que precisa ser reformada nos últimos tempos.
O evento também marcou o lançamento da revista informativa “Conexões, Telas e Saúde Mental”, que a organização espera ver circular pelo país. Segundo Luciana Balkow, a expectativa é que os participantes levem o conhecimento adquirido para suas cidades, igrejas, escolas e pacientes. Para ela, isso deve ampliar o alcance da discussão para além dos dias de congresso: “os psicólogos vão oferecer o conhecimento da ciência psicológica e promover saúde integrativa, para o local de onde eles vieram”.
Ao longo do evento, os inscritos também puderam apresentar os trabalhos que haviam submetido, em formato de apresentação oral e/ou banner, contribuindo para o desenvolvimento de pesquisa científica a respeito da temática do congresso. Os trabalhos com melhor avaliação também foram premiados pela comissão científica.
Para Carolina Silva, esse é justamente o papel da psicologia diante do fenômeno da hiperconectividade. “Nós somos agentes de saúde, agentes de mudança, e a gente precisa usar o potencial que temos, mas bem embasado cientificamente para isso”, finaliza.


