Acontece no UNASP

II Moot Court do UNASP destaca prática jurídica na formação acadêmica

O evento do curso de Direito promoveu simulação de debates e aproximou estudantes da realidade profissional.

Texto: Ana Júlia Alem

O UNASP campus Hortolândia realizou, nos dias 14 e 15 de abril, o II Moot Court, torneio de oratória promovido pelo curso de Direito. O evento foi realizado no Auditório Arlete Afonso e reuniu 381 alunos do Ensino Superior, em uma simulação prática do ambiente jurídico. A iniciativa proporcionou aos participantes a oportunidade de desenvolver habilidades essenciais à formação profissional, como argumentação, pensamento crítico e desempenho em público.

II Moot Court

O Moot Court é um torneio de oratória em que os participantes são divididos em grupos e, no momento da competição, sorteiam tanto o tema do debate quanto o lado que irão defender – a favor ou contra. Após um tempo de preparação, cada grupo realiza sua exposição inicial, seguida das etapas de réplica e tréplica. A dinâmica do sorteio é um dos elementos centrais do torneio, pois exige dos estudantes versatilidade argumentativa e domínio do raciocínio jurídico independentemente da posição defendida.

A avaliação das disputas contou com uma banca de jurados composta por profissionais do meio acadêmico e jurídico. Na primeira fase, realizada na primeira noite do evento (14), os grupos foram avaliados por ex-alunos. Já nas etapas de semifinal e final, a banca foi integrada pelas professoras Beatriz Soares e Leila Machado, por Murilo Bezerra, diretor administrativo, por Edilei Lames, pró-reitor de graduação, e por Vinicius de Freitas, pró-reitor assistente.

Equipe campeã do II Moot Court do UNASP campus Hortolândia comemora o resultado após se destacar nas fases decisivas do torneio. Foto: AICOM

A avaliação dos grupos considerou critérios específicos em cada etapa do debate, contemplando desde a estrutura e clareza da argumentação até o domínio do conteúdo jurídico e a gestão do tempo durante a exposição inicial. Na fase de réplica, foram analisadas a capacidade de refutação, a coerência com a tese defendida e a habilidade de adaptação às falas adversárias, enquanto a tréplica priorizou a síntese dos argumentos, a consistência final e o impacto persuasivo da conclusão. Ao longo de todo o processo, também foram valorizadas as habilidades retóricas e a segurança na comunicação.

Além da competição em si, o Moot Court se consolida como um espaço de aprendizado prático que vai além da sala de aula. O contato com situações simuladas do cotidiano jurídico, como o improviso diante de um tema sorteado e a pressão de defender uma posição sob avaliação, prepara os estudantes para os desafios reais da profissão. A iniciativa reforça, ainda, que a formação jurídica não se limita ao domínio teórico, mas exige postura, resiliência e capacidade de adaptação diante do inesperado.

Debate, superação e aprendizado

A dinâmica do evento foi dividida em dois dias. Na última terça-feira, aconteceram as rodadas eliminatórias, que definiram os quatro grupos semifinalistas. No dia seguinte, esses grupos se enfrentaram em duas rodadas diretas, com os temas “vacinação obrigatória versus liberdade individual” e “meio ambiente versus desenvolvimento econômico”, que determinaram os finalistas. A rodada final teve como tema “abordagem policial por ‘atitudes suspeitas’”, debate que tensiona, de um lado, a liberdade individual e a proteção contra discriminação e, do outro, os limites da atuação policial e a segurança pública.

Aluna do quinto semestre de Direito, Clara Yugawa foi uma das participantes que viveu de perto a intensidade do torneio. Para ela, a experiência foi marcada por uma mistura de emoções mas, sobretudo, pela oportunidade de desafiar a si mesma. O maior obstáculo, segundo Clara, não está nos estudos, mas na incerteza: não saber qual tema será sorteado nem qual lado terá de defender, especialmente quando a posição vai de encontro às suas convicções pessoais.

Para ela, o Moot Court vai além da competição e toca diretamente na formação do profissional de Direito. Clara ressalta que o torneio exige controle emocional e intelectual, habilidades indispensáveis para quem atuará na área jurídica. A experiência de estar em um palco, argumentar sob pressão e aprender com colegas, adversários e professores foi, nas palavras dela, “uma oportunidade única de evoluir”.

O empenho teve seu reconhecimento: campeã desta edição ao lado de seu grupo, Clara relembra que no ano anterior a equipe em que participou havia chegado à fase final sem conquistar o título, o que a motivou a se dedicar ainda mais. “Vencer essa competição significou ver o meu esforço e o dos meus colegas valerem a pena”, comemora.

Veja mais