UNASP realiza II Encontro Acadêmico sobre Psicoterapia Existencial
Com 505 inscritos e palestrantes de todo o Brasil, o II Encontro Acadêmico Diálogos sobre Psicoterapia Existencial reuniu os campi de Hortolândia e Engenheiro Coelho em torno da abordagem existencial-humanista.
Texto: Ana Júlia Alem
O UNASP campus Hortolândia sediou o II Encontro Acadêmico Diálogos sobre Psicoterapia Existencial, com o tema “A coragem de ser diante dos dilemas da existência humana”, no último domingo (31). O evento reuniu 505 inscritos no Auditório Arlete Afonso e contou com a presença de alunos dos cursos de Psicologia dos campi de Hortolândia e Engenheiro Coelho. A programação trouxe oito palestrantes convidados, incluindo especialistas vindos do Rio de Janeiro para aprofundar o debate sobre a abordagem existencial na psicologia.

Para Alex Landim, coordenador do curso de Psicologia do UNASP campus Hortolândia, o encontro representa um marco para a instituição. Segundo ele, o evento “cria um espaço de respiro e reflexão acadêmica, tirando o aluno apenas da sala de aula e conectando a teoria com a prática clínica contemporânea”. A participação dos alunos do campus Engenheiro Coelho reforça esse alcance, promovendo uma integração entre os campi que, segundo ele, “enriquece demais as discussões, porque traz perspectivas diferentes e cria uma rede de networking maior entre os futuros psicólogos”.
II Encontro Acadêmico Diálogos sobre Psicoterapia Existencial
O II Encontro Acadêmico Diálogos sobre Psicoterapia Existencial é a continuação de uma iniciativa que já nasceu com forte adesão dos alunos. O sucesso da primeira edição e o envolvimento do grupo de pesquisa do curso foram os principais motivadores para a realização de um novo evento. Segundo o professor Carlos Campelo da Silva, o tema desta edição também partiu dessas discussões semanais, refletindo os interesses e as inquietações levantadas pelos próprios estudantes ao longo do ano.
Landim ressalta que a abordagem oferece uma base profunda para compreender o ser humano em sua totalidade. “Ela ensina o aluno a olhar para além do sintoma ou do diagnóstico, focando na experiência vivida da pessoa, em sua liberdade, suas angústias e na busca por sentido”, afirma. Para ele, isso é essencial na formação clínica, pois humaniza o olhar do profissional e o prepara para acolher o sofrimento de forma muito mais empática e autêntica.
A programação foi dividida em dois blocos. No período da manhã, os participantes acompanharam palestras sobre o uso clínico da arteterapia na clínica gestáltica, possibilidades de atuação na Psicologia Humanista, os desafios de tornar-se pessoa na era digital e um olhar humanista para a vivência de pessoas autistas. As apresentações ficaram a cargo de Eloá Zambon Briques, Carlos Henrique Ferreira da Silva, Kátia Alberto e Gisella Mouta Fadda, respectivamente.
O segundo bloco trouxe reflexões sobre a clínica fenomenológica-existencial na infância, a clínica do paradoxo e a Gestalt-terapia na contemporaneidade. O encerramento ficou com Ana Maria Lopez, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e uma das maiores referências da Fenomenologia no Brasil. Com a palestra “Periandro: dilema entre sabedoria e tirania”, ela conduziu uma reflexão filosófica e clínica sobre as tensões do poder, do conhecimento e da condição humana na contemporaneidade.



Formação além da sala de aula
Fabrício Ferreira dos Santos, aluno do sétimo semestre de Psicologia do UNASP campus Hortolândia, participou do evento pelo segundo ano consecutivo como membro da comissão organizadora. Entre os momentos mais marcantes, ele destaca a palestra de Carlos Campelo da Silva, “Clínica do paradoxo: um manifesto contra o reducionismo na psicologia”, pela provocação de olhar para o sujeito sem reduzi-lo a diagnósticos engessados. A apresentação de Kátia Alberto, “Tornar-se pessoa na era digital”, também se destacou pela contemporaneidade do tema.
O interesse pela abordagem humanista-existencial foi o que levou Isabela Soares, do quinto semestre, ao evento. A palestra de Ana Cristina Zamberlan sobre a clínica fenomenológica-existencial na infância foi um dos momentos que mais a marcaram, pelo olhar atual e crítico com que tratou o tema. Para ela, estar perto de profissionais renomados e experientes “dá uma luz para que a jornada profissional seja mais possível e palpável, porque vemos um pouco da prática em meio a tanta teoria”.
“As melhores possíveis”, resume Alex Landim ao falar sobre as perspectivas para as próximas edições. Ele declara que o objetivo é ampliar o alcance, trazer novas temáticas que desafiem o tempo presente e consolidar o encontro como referência na área da Psicologia Existencial-Humanista na região.