Profissão e Mercado

OSCE avalia habilidades clínicas de estudantes de Medicina do UNASP

Mais de 60 alunos passaram por estações com atores e manequins no OSCE, exame que avalia habilidades clínicas em ambiente controlado.

Texto: Ana Júlia Alem

Mais de 60 alunos do terceiro período do curso de Medicina do UNASP campus Hortolândia participaram do OSCE (Objective Structured Clinical Examination), na última quinta-feira (11). O exame é um dos métodos de avaliação prática mais respeitados da formação médica mundial e coloca os estudantes diante de estações realistas com atores e manequins avançados. As habilidades avaliadas incluíram comunicação com o paciente, análise da dor, aferição de pressão arterial e avaliação da função cardíaca.

O OSCE reuniu mais de 60 alunos do curso Medicina do UNASP campus Hortolândia. Foto: AICOM

OSCE

O OSCE é uma modalidade de avaliação que pode ser realizada em diferentes formatos. Nesta edição, os alunos passaram por três estações, em cada uma delas demonstrando perícia em uma habilidade trabalhada dentro da disciplina de Propedêutica I. Antes de entrar, tinham um minuto para ler a apresentação do caso na porta e, em seguida, cinco minutos para realizar a atividade dentro da estação.

Dentro de cada estação, os estudantes foram acompanhados por um ator ou por um manequim de simulação, dependendo da habilidade avaliada. Simultaneamente, um médico docente observava o desempenho de cada aluno com base em um checklist estruturado, registrando se as atividades previstas foram cumpridas. Esse formato garante uma avaliação padronizada e objetiva, permitindo mensurar com precisão o desenvolvimento prático de cada estudante.

Antes do início do exame, os atores participam de uma reunião de preparação conduzida pelo próprio coordenador, na qual recebem um material detalhado com as características do paciente que irão representar. O documento especifica quais respostas devem ser dadas, como simular sintomas como dor ou alterações físicas, e em quais situações o ator deve ou não reagir às abordagens do estudante.

Ao lado dos atores, os manequins de simulação são outro recurso central do exame. Para Gustavo Letsch, coordenador associado do curso e docente da disciplina, o uso combinado dessas ferramentas reflete uma tendência das faculdades de medicina mais modernas, que apostam na simulação como forma de desenvolver habilidades antes do contato direto com pacientes reais. Um diferencial do UNASP, segundo ele, é contar com um laboratório de simulação equipado com simuladores de alta tecnologia, que está em processo de ampliação, permitindo que os alunos cheguem aos estágios em hospitais e unidades básicas de saúde com mais segurança e desenvoltura.

Letsch destaca que o exame cumpre um papel que os estágios em hospitais e unidades básicas de saúde não conseguem substituir. “Enfrentar esses desafios práticos gera a confiança e a segurança necessárias para as diversas situações da rotina médica real”, afirma o coordenador. Para ele, testar o desenvolvimento do aluno em ambiente controlado é fundamental dentro do plano acadêmico do curso.

Aprendizado contínuo

Após o exame, os alunos recebem feedback dos docentes em aula, com a discussão das respostas esperadas em cada estação e esclarecimento das dúvidas que surgiram durante a avaliação. O momento costuma provocar reconhecimento imediato nos estudantes, que identificam situações em que esqueceram etapas ou responderam de forma diferente do esperado. Segundo o coordenador associado, esse processo tem um efeito duradouro na formação, pois os alunos que vivenciaram a experiência na prática dificilmente esquecem o que aprenderam a partir dela.

Para o estudante Kerys Lacerda, a preparação para o exame foi intensa e contou com treinos práticos ao lado dos colegas. Ele destaca que a interação com os atores surpreendeu pela qualidade, mesmo sendo alguns deles pessoas conhecidas da comunidade universitária. “Pareceu a experiência clínica real, foi tudo bem profissional e bem simulado”, conta. Para ele, o simulado representa o avanço concreto da turma na formação clínica. “É uma experiência real que nos prepara para sermos bons médicos, colocando em prova nosso preparo e conhecimento”, declara.

A estudante Nicole Matuo se preparou revisando anotações das aulas e o livro-texto Semiologia Médica, de Porto, com foco nas avaliações dos sistemas respiratório e cardiovascular, que considera os conteúdos mais desafiadores do semestre. “Só fiquei nervosa no momento de entrar na sala, mas consegui controlar a ansiedade lembrando que nada do que encontraria ali seria completamente novo, e realmente não foi”, relata. Para Nicole, o OSCE representa uma oportunidade de identificar lacunas no próprio aprendizado e de se familiarizar com a pressão da prática clínica antes de chegar aos estágios.

De acordo com Gustavo Letsch, os próximos OSCEs serão progressivamente mais complexos, acompanhando o desenvolvimento dos alunos ao longo do curso. Se nesta edição as estações envolveram habilidades como comunicação com o paciente e aferição de pressão arterial, as simulações futuras poderão incluir situações críticas como paradas cardíacas, alterações de ritmo cardíaco e pulmonar e até partos. Atualmente realizado uma vez por semestre, o exame passa a ter frequência mensal quando os estudantes chegam ao ciclo clínico, no terceiro e no quarto ano da graduação.

Veja mais